terça-feira, 15 de maio de 2012

As oligarquias decenais da ALE



Não precisa ser um grande estudioso da política ou da sociologia, para chegar a uma conclusão óbvia e ululante: a casa legislativa do estado de Alagoas está tomada por algumas oligarquias, que por lá se revezam, geração após geração, já há algumas décadas.

A saber: oligarquia é o governo de poucas pessoas, ou seja, a centralização do poder, seja lá de onde for, nas mãos de alguns pingados felizardos. Situação tão corriqueira na casa de Tavares Bastos, que passou já a ser admitida como algo natural, oficializado pela dissimulação decenal dos nossos parlamentares.

Se ainda paira alguma dúvida sobre o caráter oligárquico da nossa assembleia, vale lembrar aos incautos: a atual legislatura têm nada menos que nove parentes de ex-deputados ou ex-governadores, ou seja, a segunda geração das famílias do poder, que permanecem por lá. Se esticarmos a corda aos que são filhos ou parentes de prefeitos ou ex-prefeitos do interior, esse número sobe para treze parlamentares. O que eles fizeram para estar deputados estaduais? nada, somente ostentam um sobrenome com poder pelos obscuros cenários políticos de Alagoas.

O quadro se complementa quando levamos em consideração também os empresários e usineiros - somados aos sobrenomes relevantes, chegamos a dezoito. Alinhados a esse mesmo grupo, mesmo que não provenientes de famílias frequentadoras da Assembleia, os indiciados por crimes de mando e corrupção ativa elevam as oligarquias parlamentares para um espantoso número de vinte e dois deputados estaduais.

O que isso, afinal de contas, teria a ver com a situação de desgraça que vive um estado como Alagoas? tudo. Como cobrar soluções de uma casa legislativa que não está a serviço do povo que a elegeu, e sim das famílias e interesses que representam - suas usinas, empresas, fazendas ou simplesmente a manutenção da carapuça absurda da imunidade parlamentar. Num universo de 27 parlamentares eleitos, este blog identificou apenas três como sendo representantes de classes ou categorias de trabalhadores alagoanos - um deles representante religioso.

Repensar nosso parlamento é o começo de qualquer real mudança que valha a pena. E esse parece ser o maior erro do alagoano: já mudou-se em várias ocasiões os governos mas, sorrateiramente, os mesmos atores de 50 anos no legislativo continuam por lá. E não estão com a menor disposição de sair.

4 comentários:

  1. É, as Capitanias Hereditárias ainda comandam o nosso estado.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Para desespero dos historiadores, elas parecem ainda existir por essas bandas.

      Excluir
  2. Tudo numa única panelinha: Política, imprensa e empresários. Tudo muito bem interligado, tudo muito bem podre também, na verdade quase tudo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Infelizmente, Jéssica. Triste de um povo que se sente representado por sobrenomes, ao invés da meritocracia.

      Excluir