Não precisa ser um grande estudioso da política ou da
sociologia, para chegar a uma conclusão óbvia e ululante: a casa legislativa do
estado de Alagoas está tomada por algumas oligarquias, que por lá se revezam,
geração após geração, já há algumas décadas.
A saber: oligarquia é o governo de poucas pessoas, ou
seja, a centralização do poder, seja lá de onde for, nas mãos de alguns
pingados felizardos. Situação tão corriqueira na casa de Tavares Bastos, que
passou já a ser admitida como algo natural, oficializado pela dissimulação
decenal dos nossos parlamentares.
Se ainda paira alguma dúvida sobre o caráter oligárquico
da nossa assembleia, vale lembrar aos incautos: a atual legislatura têm nada
menos que nove parentes de ex-deputados ou ex-governadores, ou seja, a segunda
geração das famílias do poder, que permanecem por lá. Se esticarmos a corda aos
que são filhos ou parentes de prefeitos ou ex-prefeitos do interior, esse
número sobe para treze parlamentares. O que eles fizeram para estar deputados
estaduais? nada, somente ostentam um sobrenome com poder pelos obscuros
cenários políticos de Alagoas.
O quadro se complementa quando levamos em consideração
também os empresários e usineiros - somados aos sobrenomes relevantes, chegamos
a dezoito. Alinhados a esse mesmo grupo, mesmo que não provenientes de famílias
frequentadoras da Assembleia, os indiciados por crimes de mando e corrupção
ativa elevam as oligarquias parlamentares para um espantoso número de vinte e
dois deputados estaduais.
O que isso, afinal de contas, teria a ver com a situação
de desgraça que vive um estado como Alagoas? tudo. Como cobrar soluções de uma
casa legislativa que não está a serviço do povo que a elegeu, e sim das
famílias e interesses que representam - suas usinas, empresas, fazendas ou
simplesmente a manutenção da carapuça absurda da imunidade parlamentar. Num
universo de 27 parlamentares eleitos, este blog identificou apenas três como
sendo representantes de classes ou categorias de trabalhadores alagoanos - um
deles representante religioso.
Repensar nosso
parlamento é o começo de qualquer real mudança que valha a pena. E esse parece
ser o maior erro do alagoano: já mudou-se em várias ocasiões os governos mas,
sorrateiramente, os mesmos atores de 50 anos no legislativo continuam por lá. E
não estão com a menor disposição de sair.

É, as Capitanias Hereditárias ainda comandam o nosso estado.
ResponderExcluirPara desespero dos historiadores, elas parecem ainda existir por essas bandas.
ExcluirTudo numa única panelinha: Política, imprensa e empresários. Tudo muito bem interligado, tudo muito bem podre também, na verdade quase tudo.
ResponderExcluirInfelizmente, Jéssica. Triste de um povo que se sente representado por sobrenomes, ao invés da meritocracia.
Excluir