sexta-feira, 4 de maio de 2012

Pelo aumento da representação popular


Não se fala de outro assunto pelos corredores da câmara de vereadores de Maceió. Levada pela correnteza das outras casas legislativas Brasil afora, a casa de Mário Guimarães busca um consenso sobre o aumento do número de vereadores do parlamento municipal, um tema tão espinhoso que não há, até o momento, quem saiba quantos serão os eleitos nas eleições de outubro.

Que fique claro: o aumento do número de parlamentares é constitucional, fruto de uma lei aprovada por Câmara e Senado, promulgada pelo então presidente Lula e referendada por 8 dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal. A medida já está em vigor desde 2009, mas como não retroagiu, este será o primeiro pleito já contando com a nova regra.

O que diz a letra fria de lei, no caso da capital alagoana? que todos os municípios entre 900 mil e 1 milhão e 50 mil habitantes, podem alterar a composição de suas casas legislativas para 31 parlamentares. Isso deve, segundo entendimento do STF, ser feito por força de lei própria em cada município, obedencendo à regra nacional. Nada mais claro e objetivo.

É importante estabelecer um outro olhar, mais sensato e em perspectiva para esse tema. Primeiro é preciso destacar: um vereador não é uma categoria profissional, como um bancário ou um médico; é um servidor do povo, eleito por ele para representá-lo frente ao executivo. Encarar um aumento de representatividade popular a partir da lógica sindical, de que o parlamentar defende os seus próprios direitos, é um erro lamentável. 

Em tempos de super-candidatos, com eleições cada vez mais voltadas ao dinheiro e menos às propostas políticas, ser vereador é cada vez mais produto de uma campanha milionária, midiática e para poucos. Nesse sentido, o representante popular se afasta cada vez mais das ruas, e se aproxima dos gabinetes. Trocamos os líderes comunitários, dirigentes sindicais e representantes de categorias pelos empresários, apresentadores de TV e endinheirados em geral. 

Desse modo, aumentar vereadores seria uma tentativa de popularizar mandatos. Levar à câmara candidatos menos votados, consequentemente menos poderosos. Popularizar de fato uma casa que deveria ser, mas não é, do povo. Dar representatividade, em tempos de democracia, a um espaço cada vez mais privado e menos democrático.

Outra questão a se esclarecer: o aumento do número de edis não significa aumento de custos. Conforme a lei, o repasse do executivo ao legislativo municipal, conhecido como duodécimo, estaria mantido nos mesmos 4,5% estabelecidos pela lei anterior. Ou seja, teremos um aumento da representatividade na câmara, sem aumentar em um centavo seu custeio.

Seria insensatez não enxergar que a câmara de Maceió tem péssimos parlamentares - assim como nossa assembleia legislativa, e nossos representantes na câmara federal. Recentemente, um programa humorístico fez a festa em passeio pelos nossos parlamentos, corando de vergonha quem viu pela TV. Porém, penalizar o aumento da representatividade popular, por conta de uma geração de despreparados que ora ocupam aquelas cadeiras, parece ser um grande equívoco.

É fundamental proporcionar ao eleitor o direito à escolha. Cada vez mais representativo, com mais representantes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário