Por Majal-San¹
O
meu vinho não me aquece, não está quente. O meu vinho não me acalma, não me
esfria, não está gelado. Esse vinho não me faz esquecer (ou não quero
esquecer?), ou tenho que esquecer? Esse vinho não me faz lembrar, pois
permanece desde o início nessa minha mente fraca (ou quero que permaneça?), a
tal lembrança, muitas lembranças – teus toques e retoques – teus lances e
relances – meu(s) prazer(es) e desprazer(es)...
A minha fumaça não flutua, essa fumaça
não, não é minha nem é tua. Um dia as espirais me inspiraram, inspiração
insana. A nicotina (minha segunda menina) está aqui, permanece aqui – não me
abandona (a outra me abandonou) – menina má. Vou tentar dormir, talvez consiga
ou a poesia me persiga, ou tu dirás: “Poeta, siga! Pois, já parei”.
Adeus! Pois, “Deus dará!”.
* * *
Milton Valério - ou Majal-San - é poeta, escritor, ativista social e professor da rede pública de ensino de Teotônio Vilela, cidade a 100km de Maceió.

Nenhum comentário:
Postar um comentário