Cada vez mais confuso entre o gênero político e o pastelão. Esse é o atual estágio do noticiário político alagoano. Por aqui, está cada vez mais difícil diferenciar o que é política daquilo que vai pro "caderno B", frequentemente dedicado às notícias da televisão, cinema, colunas sociais e suas duvidosas celebridades.
No entanto, nada seria mais hilário (se não fosse trágico) do que a entrevista dada pela ex-primeira dama do Brasil, Rosane Malta - chamada pela imprensa brasileira ainda como Collor, para melhor compreensão - dada ao programa dominical Fantástico, no último domingo. Declarações que não fizeram jus ao título do programa.
Rosane foi anunciada durante toda a semana como a algoz de um dos personagens mais controversos da política brasileira. Um sujeito que, de governador do periférico estado de Alagoas, foi alçado, na primeira eleição presidencial direta em 25 anos, presidente do país. Pelas mãos de Collor, a mídia enxergava e encrustava no povo a noção de que era preciso um jovem político, alinhado a ideias populistas como a "caça aos marajás" - e de quebra, afastava o risco de um governo socialista ainda latente, com o operário Luís Inácio.
O resto dos fatos está nos livros. Collor chegou ao poder - em parte, pelas mãos globais de Roberto Marinho e sua equipe de edição - governou por alguns meses de forma desastrosa, até que de lá foi apeado, no primeiro impeachment da história do Brasil, transmitido ao vivo pelo mesmo canal que o elegeu. Entre o apogeu e a queda, nunca foi novidade a relação de Collor com os cultos afro-brasileiros, a macumba, o catimbó e afins.
A não ser para dona Rosane, que como no ditado popular dos traídos, foi a "última a saber". E essa foi mesmo a grande "bomba" da entrevista na Globo: a ex-primeira dama parecia contar o que Deus, o mundo e a torcida do Flamengo já sabem, como se fosse uma novidade fresquinha, pronta para acabar com os pilares da república brasileira. Esbugalhava seus belos olhos verdes para contar o bate-tambor de Collor com Mãe Cecília nos porões da Casa da Dinda, como se por ali só estivessem ela, o presidente e a mãe-de-santo - nenhum serviçal ou mesmo as paredes, que em Brasília têm ouvidos, e dos bons.
Rosane Collor - ou Malta - tem realmente muito a reclamar. Como a falta de recursos financeiros, já que vive com apenas R$ 18 mil mensais de pensão pagas por Collor, quando, segundo ela, poderia viver com R$ 40 mil, como "algumas amigas". Ou a apreensão de suas jóias e carros de luxo pelo ex-presidente. Uma pena.
Desse episódio, tira-se uma grande lição para o Brasil: o quanto já erramos por influência de nossos setores mais conservadores; elegemos para governar o país, logo após uma sanguinolenta ditadura, um playboy chegado a drogas e despachos na encruzilhada, com galinha preta e cachaça. E com uma dondoca a tira-colo.

Caríssimo,
ResponderExcluirO cenário eleitoral agora está pior. O Collorido foi eleito por vários Estados da Federação (todos iludidos)!
Aqui em nossa querida Alagoas, os ALF's continuam elegendo candidatos até piores que o Collorido-aliado-de-lúcifer!
contra o lulla qualquer coisa naquelas épocas.
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