Parece não ter fim o repertório de horrores a que se submete o cidadão alagoano, quando o assunto é a gestão do falido sistema de segurança pública do estado. Entre o corriqueiro vai e vem de notícias escabrosas, mais uma entra para os anais das páginas policiais em nosso estado: por conta da greve dos médicos legistas, na manhã desta segunda-feira (25), nada menos que 24 corpos se amontoavam por salas, corredores, chão e câmaras refrigeradas dos quase caóticos IMLs de Maceió e Arapiraca.
A manchete por si só já seria desoladora, se não viesse acoplada a mais um ítem de circo de horrores: o secretário de Defesa Social, Coronel Dário César, mandou liberar todos os corpos acumulados aos familiares, sem nenhum exame de necropsia. Ou seja, aos que morreram em AL nesse fim de semana de São João, está vedado o direito de saber qual sua "causa mortis"; se morreram por tiros, vão às covas com as balas encravadas no corpo. E assim segue o concerto.
Não custa lembrar que, há alguns meses, um pedaço de laje com mais de
20 quilos caiu em cima da mesa de um dos funcionários administrativos
do órgão. Por acaso, nesse dia, o sortudo servidor não estava no local
de trabalho, pois era um sábado. É dessa forma que se enxerga não ser
vítima de uma desgraça no IML de Maceió: puro golpe de sorte.
O inábil secretário de defesa social de Alagoas, ao invés de procurar o saudável caminho apaziguador da negociação com os trabalhadores em greve, teima em querer convencer a sociedade de que o problema "não é bem assim". Com inclinação maior à comunicação do que à gestão da segurança, Dário César sua sangue nos meios de comunicação e nas redes sociais para tentar encrustar na cabeça do alagoano que quem está errado, nessa história, são os médicos legistas. Eles é que deveriam trabalhar num prédio ameaçado pelo desmoronamento, com carência de equipamentos, falta total de estrutura e defasagem de pessoal. Afinal, para César, o que custa trabalhar sob essas "satisfatórias" condições?
No campo administrativo, a primeira ação concreta em muito tempo foi tomada. O prédio do IML de Maceió será definitivamente fechado para reformas, e o órgão passará a funcionar num prédio do Hospital Sanatório, ainda que melhor em termos de estrutura, mas ainda assim na base do improviso. Quando terminará a reforma do imóvel original, na praça da Faculdade? Essa é uma previsão que nem o próprio governador pode externar, já que há mais de um ano essa reforma se encontra empacada num processo de licitação.
Quanto à paralisação, o Tribunal de Justiça apressou-se em declará-la ilegal - o que não é de todo equivocado, pois o direito à greve exige o cumprimento legal de algumas prerrogativas, que sabidamente não foram obedecidas pelo comando de mobilização da categoria. O que impressiona, nesse caso, é a celeridade seletiva de um tribunal que leva anos para julgar crimes de mando e contra o erário público, mas acelera o passo quase sempre quando o assunto é decidir contra os trabalhadores, ou mesmo desobrigar notórios prefeitchinhos gatunos de utilizar suas tornozeleiras eletrônicas.
O governador, responsável final pelo atual estágio da situação, e seu fiel escudeiro, o coronel César, parecem ter faltado ao curso, naquela aula de planejamento básico do gestor público: o efeito é uma consequência da ausência de ações anteriores, o que vale a pena é trabalhar e solucionar as causas do problema. Não é desqualificando a greve dos servidores do IML que o estado vai trazer de volta a categoria ao trabalho. Só gerenciando de frente a questão, é possível obter um consenso - palavra mágica que parece não constar no dicionário de Téo e César.
Enquanto o caminho for o do entrentamento, haja paciência. E fígado, para as enlutadas famílias que ainda precisam passar por mais essa humilhação.
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Em tempo: reportagem da Folha de São Paulo afirma que eram 38 corpos na manhã desta segunda feira no IML. Clique aqui.

Luciano, me parece muito com a situação da educação... depois de 6anos descobre-se que é necessário reformas no prédio.. reforma começa e ninguém sabe até quando vai... O secretário César segue o ritual de Adriano Soares... Téo, omite-se... É UM DESGOVERNO COMPLETO!
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