quinta-feira, 26 de abril de 2012

A UFAL vai parar?


Em rodada de reuniões, ocorrida nos últimos dias 21 e 22 desse mês, a direção da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES) oficializou o indicativo de greve por tempo indeterminado, a partir do dia 17 de maio. Segundo a entidade, a greve ocorrerá por conta da "indignação crescente da categoria", e do não cumprimento da pauta de reivindicações pré-acordada com representantes do governo, desde o final de 2011. Uma paralisação de advertência já ocorreu na última quarta (25), o que dá a entender que a greve que virá é realmente pra valer.

Se acontecer, será a segunda paralisação em menos de um ano, já que no 2º semestre de 2011, levada a reboque da decisão nacional e também das paralisações de outras universidades próximas, a ADUFAL, entidade que representa os professores da UFAL, também decretou greve de professores, em meio a uma grande confusão de informações sobre se existia realmente ou não a paralisação. Naquela época, de dentro do campus Maceió da UFAL,  mais de 50% das aulas aconteciam normalmente. Felizmente, com um movimento completamente desmobilizado, professores e alunos voltaram às salas de aula poucas semanas depois.

Sejamos sensatos: o mundo mudou. Dentro desse contexto, a universidade também mudou, e as formas de mobilização e reivindicação também ganharam uma outra cara. Hoje, utiliza-se menos o enfrentamento político, e mais o diálogo. Menos o autoritarismo, e mais o debate. 

Já houve um tempo não muito distante, em que a pauta reivindicatória eram cadeiras novas para as salas, ou um novo retroprojetor - porque utilizar um datashow era um sonho distante, "coisa de faculdade particular". A universidade estava povoada de professores substitutos, profissionais com graduação em alguma área, contratados temporariamente para ministrar muitas vezes 40 horas/aula semanais. Não haviam concursos para novos professores.

Hoje, esses temas sumiram da pauta de lutas. Teria sido a universidade que melhorou, tornando então as reivindicações obsoletas? ou os docentes mudaram o foco, centrado agora na questão da carreira de professor?

É importante deixar claro que a luta dos docentes do ensino superior é mais do que válida. A maior parte do que se avançou nesses últimos anos deve-se à postura sempre independente e aguerrida das entidades docentes, que mesmo lidando com uma crescente e incômoda desmobilização, têm obtido êxito, postura que alinha-se com a atuação dos novos governos empossados a partir de 2003 - inlcusive apoiados eleitoralmente por essas entidades.

Porém... a maioria dos mais de 30 mil estudantes universitários da UFAL não quer essa greve. Uma boa parcela dos professores, pouco ouvidos pela sua entidade representativa, também não. Uma paralisação sempre causa mais transtornos do que benefícios para a comunidade acadêmica - menos para aqueles minguados que participam das atividades de mobilização, ou para a boa parcela que utiliza as "férias" fora do programado para viajar e descansar. Greves deixaram de ser o principal instrumento reivindicatório - basta observar as quase-inexistentes paralisações lideradas pelas grandes centrais sindicais. Para elas, o diálogo e a negociação têm bastado.

O que acontecerá em maio que vem, depende majoritariamente de um posicionamento menos radical por parte das entidades docentes. Talvez a consciência de que suas posições, como educadores, terão desdobramentos no resto da vida de seus alunos, servisse para acalmar os ânimos.

Um comentário:

  1. um problema que costuma ocorrer - e que quase ninguém dá importância - é não deixarem quem não aderir dar aula normalmente e isso ocorre, geralmente, na base da violência

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