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| Célia Rocha (PTB), Alves Correia (PTdoB), Luciano Barbosa (PMDB) e Ricardo Barreto (PP) |
Capital do agreste e do interior alagoano, Arapiraca ferve - e não é só por causa da combinação do escaldante calor e baixa umidade local, que costuma levar às bicas de suor os visitantes menos informados; como a cada quatro anos, a cidade ferve por conta das eleições municipais que se aproximam.
Atualmente, o município é administrado por Luciano Barbosa, cria do PCdoB, mas talhado na política a partir das mãos do senador Renan Calheiros, até hoje seu mais forte aliado político - e companheiro de PMDB. Barbosa foi ministro da Integração Nacional, nos derradeiros dias do governo FHC - com a visibilidade de lá, foi alçado à condição de gestor do 2º maior município alagoano.
Porém, o peemedebista é carta fora do baralho - está no final do seu segundo mandato, muito bem avaliado, por sinal. Foi o responsável por levar Arapiraca à condição de metrópole local da região do agreste, a uma das principais cidades em potencial industrial do nordeste. Aglutinou o empresariado, organizou o serviço público, desenvolveu a infraestrutura necessária, alinhou-se com todos da política local, em nome do desenvolvimento. O resultado disso foi um governo pujante, com avanços em todas as áreas e adversários desmobilizados.
Nesse sentido, qualquer analista de meia-tijela diria que Barbosa elegeria até um poste que lançasse à sua sucessão. Ele fez mais do que isso - abraçou-se à sua mais nova-velha aliada, lançando o nome da ex-prefeita Célia Rocha, médica e atualmente deputada federal (PTB) para a prefeitura. Célia foi outro fenômeno arapiraquense, deixando a prefeitura nas mãos de Barbosa e se elegendo facilmente à câmara federal.
No entanto, a eleição desse ano não será fácil, segundo avaliação até mesmo de alguns Barbosistas. Pesam contra a dupla Luciano-Célia algumas questões que podem refletir na disputa eleitoral, principalmente na fase de campanha aberta, quando a boataria nas ruas esquenta como o asfalto local. Um dos principais é a rejeição de Barbosa fora da zona urbana. Com uma gestão voltada para fora, o prefeito esqueceu a gigantesca zona rural da cidade, o que faz esse eleitorado torcer o nariz para sua candidata. Outro aspecto, que virá a tona com força na fase de boataria, é o fato de que a saída prematura de Célia da câmara federal cheira a queimado: faz parte de um acordo para tirar da condição de presidiário o seu suplente imediato, o delegado Chico Tenório, que responde a processo por assassinato. Sem mandato e foro privilegiado, Tenório anda pelo estado atado à uma tornozeleira eletrônica.
Apoiados nesses tópicos, os adversários vão chegando para azedar o angu. O primeiro a ser lançado, com toda pompa a circunstância, foi o ex-secretário estadual de educação e atual titular da pasta de articulação política, Rogério Teófilo. De cara, o secretário já fez o dever de casa: desfiliou-se do PPS e entrou no PSDB, o partido do governador, que até o momento, a seu modo, vai avalizando sua candidatura. Contra Teófilo, pesa uma pequena, porém poderosa questão: como um gestor que não conseguiu terminar a construção do teatro da sua escola, que se arrasta há mais de 4 anos, quer gerenciar uma cidade do tamanho de Arapiraca? o neo-tucano é conhecido na cidade pela sua vagareza como principal característica política.
Outro que dessa vez promete fazer barulho é o radialista e forrozeiro Alves Correia. Ex-deputado, muito popular na cidade, apresentador do programa de rádio mais ouvido de Arapiraca, Correia tem penetração muito forte na periferia, seus principais ouvintes, e também dentre o eleitorado mais velho, mais afeito às redes de tecido, do que às redes sociais. Pesa contra ele a pouca estrutura que seu partido, o PTdoB, oferece, aliado ao fato de que quando deputado, pouco fez pelo município. Há os que digam que sua pré-candidatura é somente jogo de cena.
O empresário Ricardo Barreto, recentemente filiado ao PP, parece ser a grande novidade desse processo. Barreto é o mais novo "amigo de infância" do todo poderoso senador Biu de Lira, e tem a seu favor a leveza de nunca ter disputado uma eleição, o que lhe confere uma baixa rejeição, segundo pesquisas. Pesa ainda o histórico como empreendedor de sucesso em Arapiraca, que agrega respeito ao seu nome, e estrutura de sobra para uma campanha em pé de igualdade com Célia Rocha.
No frigir dos ovos, cada candidatura de oposição vai tentando capitalizar ao máximo suas potencialidades. No núcleo delas, existe a certeza de que separadas, não serão páreo para as realizações de Barbosa, aliadas à paixão do arapiraquense por Célia Rocha. O desejo do mundo perfeito, para cada uma, é que seu nome seja a cabeça da chapa, com apoio irrestrito das outras duas - porém, nenhuma delas admite sair da disputa, pelo menos por enquanto.
A oposição arregimenta a seu lado uma boa parte do capital político do estado. O governador Teotonio Vilela, apesar de sua afeição por Célia, que lhe deu apoio e palanque nas últimas eleições, está com o neo-tucano Rogério Teófilo. Também o PR, do deputado Maurício Quintella, lhe jura apoio. Biu de Lira, novo manda-chuva da política local, turbina a campanha de Ricardo Barreto. Será este peso suficiente para suplantar a eficiência da administração peemedebista e o carisma celista?
Como qualquer outra, esta é apenas uma avaliação de momento. Resta ao arapiraquense aguardar o passar do tempo, como aguarda a secagem da folha de fumo, ao sol.
Escaldante sol.

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