segunda-feira, 23 de abril de 2012

A panicat e o Policarpo - é a guerra


Passavam das 23h de domingo. A grande audiência, que normalmente está sintonizada na guerra entre rede Globo e Rocord, já tinha mudado de canal. As redes sociais indicavam que naquele momento, aquele era o acontecimento mais assistido em todo o Brasil. Fazendo uma conta rápida, algo em torno de 2 milhões de residências assistiam à cena, somente em São Paulo.

Alertando para que a protagonista da cena "não arregasse", Emílio Surita, apresentador e mentor do programa "Pânico na Band", sentenciou à modelo Babi Rossi, chamada pela atração de Panicat, que raspasse a cabeça ali, ao vivo. Aos prantos, muito nervosa, mas consciente dos riscos de desobedecer a uma ordem do patrão, Babi sentou na cadeira do cabeleireiro, e sob gargalhadas de todos os integrantes, platéia e a maior audiência do país, fez-se naquele momento mais um escabroso capítulo da guerra pelos espectadores na TV brasileira.

Já não é de hoje que Emílio Surita e seus comandados cometem absurdos pela liderança no Ibope. Disputando a atenção do público com o Fantástico, da Globo, Domingo Espetacular, da Record, e com o velho e eficiente Silvio Santos, a equipe do Pânico tem se superado a cada domingo no seu repertório de esquisitices. Bizarrices que têm sido acionadas cada vez mais na justiça.

É no nível da desfiguração humana que se trava a luta pela audiência na TV - e justiça seja feita, o Pânico não é o único praticante dela. Há alguns anos, o apresentador Gugu Liberato, ainda no SBT, quase foi preso por exibir uma entrevista com um falso integrante de uma famosa quadrilha de São Paulo. E o que falar então dos BBB's da Globo, que neste ano teve inclusive a transmissão, ao vivo, de um estupro (algum tempo depois, comodamente desmentido por ambas as partes).

Mais uma justiça seja feita: o vale-tudo pela audiência não está somente na TV. Que tal o último escândalo político de Brasília, o caso Cachoeira/Demóstenes? Nele, quanto mais se mexe, mais fede; já se sabe, por exemplo, que Policarpo Junior, nada menos que o editor chefe da Veja, o semanário top da editora Abril, era um dos parceiros do bicheiro Cachoeira, plantando informações falsas e factóides na revista, no intuito de derrubar uma ou outra peça de algum governo. Um complexo conjunto de arapongas, câmeras e escutas telefônicas também estava à disposição de Policarpo - tudo, claro, na mais impune e hipócrita ilegalidade.

Para além da careca de Babi Rossi, o Brasil precisa urgentemente pensar num modelo de regulação da mídia - seja impressa, televisionada ou via web. Não podemos confundir, em qualquer momento, o que chamamos de liberdade de expressão, bravamente conquistada após anos de mordaça e repressão, com a livre degeneração da qualidade do que lemos e assistimos hoje em dia. Como não há regras, escreve-se, publica-se e exibe-se ao gosto dos patrões, de interesses excusos que não são a informação e o entretenimento. Jogam-se no mesmo balaio os bons profissionais e os canalhas infiltrados.

A liberdade de imprensa não pode ser confundida com despreparo e ignorância, nem com agressividade e desrespeito. A confusão só beneficia a quem lucra com esse tipo de bizarrice e ilegalidade. Coitada da bela Babi Rossi.

6 comentários:

  1. Nossa! Você tá defendendo a censura? Meu filho, a Babi fez aquilo porque QUIS! Nesse país existem leis trabalhistas e não se pode fazer coisas como essa de forma abusiva. Ela QUIS e ponto.
    Você fala da Veja, mas a carta capital, queridinha do governo, dá informações 100% tendenciosas, dando inclusive descontos no caso de assinantes petistas, e disso você não fala. Muito ruim.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É uma opinião sua, certo? Não trato da questão trabalhista, mas dos limites da mídia na hora de buscar audiência. Sem regras, qualquer um pode fazer o que quiser, inclusive os mal-intencionados.

      Limite é uma coisa, censura é outra. Mas esse é um bom debate.

      Obrigado pela interação!

      Excluir
  2. Ela não me parecia querer raspar os cabelos... Choro geralmente não é sinal de concordância, caro Júnior.

    ResponderExcluir
  3. "Não podemos confundir, em qualquer momento, o que chamamos de liberdade de expressão, bravamente conquistada após anos de mordaça e repressão, com a livre degeneração da qualidade do que lemos e assistimos hoje em dia".

    Isso é defender a censura?

    ResponderExcluir
  4. Tem pessoas que não sabem ler e muito menos interpretar o que está ali escrito. Ausência total de respeito com a Babi Rossi, absurdo que fizeram com ela.O que eles fazem por audiência é um exagero, não precisava nunca de uma coisa dessa. Muitas lamentações por ela.

    ResponderExcluir