domingo, 29 de julho de 2012

A crise de JL, o deputado mais rico de Alagoas


Há em Brasília, além das construções muito bem planejadas do plano piloto, uma categoria de políticos que suscitam o seguinte questionamento: por que estão ali, se poderiam estar cuidando de seus mega-empreendimentos? são os políticos milionários. Uma pequena parcela que curiosamente opta pela representação popular, ao invés de gozar de merecidas férias em Paris ou Amsterdan, ostentando seus relógios Rolex e óculos Bulowa.

Dentro desse grupo, pasmem, está um deputado alagoano - logo em Alagoas, estado com os mais desgraçados índices sociais do país. Apesar de pernambucano de nascimento, e com passagens políticas em outros estados do Brasil, foi por aqui que o deputado e empresário João Lyra resolveu pousar. Construiu aqui, com sua notória esperteza empresarial, um dos maiores conglomerados açucareiros do país - um grupo empresarial que reúne quatro usinas, uma destilaria de álcool, uma fábrica de adubos, fazendas, táxi aéreo e uma concessionária de automóveis.

Porém, o "abnegado" JL, mesmo com o conjunto de empresas que lhe dão essa peculiar fama, tem passado por maus bocados nesses últimos tempos. Lyra está enfrentando uma séria dificuldade financeira em suas usinas de açúcar, o que pode provocar o fechamento de uma ou várias delas já na safra 2012-2013. Com algumas unidades em processo de concordata e sem poder vender sua produção que já está empenhada aos bancos, já a alguns meses não paga sequer os funcionários.

Dentre os contratempos aos quais Lyra já teve que passar, está o fechamento da porta da sede do grupo por trabalhadores de suas usinas, então com os salários atrasados há 3 meses. De dentro do carro, JL observou o movimento e, sem outra solução, foi impelido a descer e estabelecer um inédito diálogo com seus colaboradores. Há quem diga que, em mais de 30 anos, nunca tinha visto um JL tão simpático.

Difícil acreditar que um mega-empresário, sabidamente dos mais ricos parlamentares do Brasil, o único no estado que se dava ao luxo de negociar sua produção diretamente ao exterior - sem passar pelos cofres da poderosa Cooperativa dos Usineiros de Alagoas, candidato ao governo da campanha mais cara da história em 2010, não disponha agora de meios financeiros para pagar aquilo que hoje é a sua única obrigação trabalhista, diante da concordata que lhe anistiou todas as demais: o pagamento do seu funcionalismo.


Há empregados desesperados, sem dinheiro, crédito na praça ou comida em casa; aliados aos demais, que ainda possuem algum meio de sobrevivência, mas igualmente vítimas do calote de JL, podem cometer loucuras ou atitudes mais acaloradas do que o último fechamento da BR 101, ocorrida na terça-feira 24/07. Naquele episódio, se não fosse a ação apaziguadora da Polícia Rodoviária Federal, sabe Deus o que teria acontecido entre um PELOPES armado até os dentes  - e disposto a "limpar" a rodovia - e trabalhadores assalariados com fome e armados de paus, pedras e crianças como escudo.

João Lyra, o deputado milionário, parece querer pagar pra ver até onde vai a resistência de seus funcionários. Conta com a mística do medo e da intimidação que sempre foi a lei pelos corredores do grupo.

Só que dessa vez, parece que terá mesmo que se desfazer de alguns Rolex e Bulowas.


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Para acessar a inscrição de João Lyra relativa às eleições de 2010, última onde teve que declarar seus bens, acesse o site do TSE aqui.

Um comentário:

  1. Há 11 anos fiz um estágio não remunerado nas usinas do Grupo JL em Alagoas. Lá constatei o seu único orgulho (que é uma obrigação): pagar no fim do mês trabalhado, a sua folha salarial.
    Espero que esteja se aproximando o fim desse "império" do mal em Alagoas.
    Quanto aos trabalhadores massacrados, minhas orações e desejos de dias melhores, em uma empresa melhor!

    Diógenes dos Anjos
    Professor e Empregado Concursado da Embrapa

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