quinta-feira, 19 de abril de 2012

TIM na berlinda: ou pára, ou investe


A justiça alagoana determinou, nesta quinta-feira, a manutenção da proibição da venda de novos acessos da TIM em Alagoas, até que a operadora apresente um plano de expansão que contemple todos os problemas enfrentados pelos usuários, que reclamam da péssima prestação de serviço da operadora há tempos.

Vale lembrar, desde já, que operação de telefonia celular no Brasil é concessão pública, daí falarmos em operadora, e não em donos. Para operar um sistema de telefonia, é necessário que a empresa interessada cumpra uma série de protocolos, ligados sempre à questão da qualidade na prestação dos serviços. E é aí que a TIM não só descumpre os acordos estabelecidos com a Anatel, como tripudia sobre as reclamações dos usuários.

A TIM trava uma luta figadal com a Claro pela vice-liderança em market share (porcentagem de clientes no mercado). Nessa luta, o nordeste é o principal trunfo da operadora, já que durante muito tempo ela era a melhor prestadora da região. Some-se a isso o fato de ter herdado o espólio de várias operadoras estatais, no desastrado processo de privatização do setor de telecom brasileiro. Portanto, o pouco que a TIM investiu em Alagoas nos últimos anos, ocorreu sobre uma rede já herdada do setor público.

Nesse período, a telefonia evoluiu bastante. Veio o Edge, uma plataforma mais moderna de transmissão de dados; logo depois, o 3G, plataforma de banda larga, hoje implementada por todas as operadoras no estado. A TIM não investiu em nenhuma das duas tecnologias, a não ser em uma meia dúzia de torres, localizadas em pontos estratégicos de Maceió. Mais uma estratégia maldosa, para se utilizar do marketing falso de que é "uma operadora 3G".

Porém, pior do que todo o ocorrido, é a falta de respeito com os órgãos reguladores estaduais e com os próprios consumidores. Não são poucos os clientes revoltados com o fato de que, ao reclamarem no call-center da operadora, o funcionário simplesmente desliga a chamada. Numa CPI instalada na Assembleia Legislativa, depois de grande pressão popular, nenhum dirigente da TIM apareceu para prestar esclarecimentos. A resposta da operadora, quando provocada judicialmente, foi até engraçada - se não fosse trágica: "a TIM desconhece os problemas reclamados pelos usuários, e tem investido na melhoria das suas redes".

Daí o acerto da justiça, ao manter o embargo. Quem sabe assim, sentindo no bolso, a operadora líder do mercado em AL finalmente não melhore seu péssimo serviço.

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PS.: Nas redes sociais, se compartilha uma promoção da TIM, falando sobre um novo produto da operadora, o chip TIM Beta. Puro marketing - falso. Não há em Alagoas uma rede celular com alcance maior que 1Mbps, o equivalente ao 3G  - sendo que a TIM não oferece esse serviço em 90% da sua rede. Os ingênuos que vibram com essa inovação, infelizmente, estão sendo enganados.

2 comentários:

  1. Absurdo uma operadora com o maior share do mercado tratar seus clientes dessa forma. Espero que a justiça mantenha a decisão até que a TIM possa prestar um serviço, ao menos, satisfatório.

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    1. Esse share vem caindo dia a dia Fábio. Espero que dessa vez os diretores tenham aprendido a lição, e invistam o que nunca investiram no nordeste, grande responsável por ela ainda existir.

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