sábado, 14 de abril de 2012

Legião Urbana, uma celebração

Ah, que tempo bom. Eram já os anos 90 - o romatismo e as cores dos 80 tinham passado. Mas ainda tinha o grunge, o pop, o medo do fim dos tempos. Nirvana, Radiohead chegavam, o U2 crescia e aparecia. Lá fora o rock permanecia.

Aqui, eu aprendia que estamos vivos e isso é tudo - era sobretudo a lei, da Infinita Highway. Alguns engenheiros foram ao Hawaii e voltaram com uma banda difícil de esquecer. Lá no sul se fazia rock, e muito bem.

Só que faltava algo... eu já tinha ouvido muita coisa, até que o lôdo me apresentou aqueles que mudariam nossas vidas: Renato Russo, Renato Rocha, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos - sim, a Legião Urbana! nós éramos, apesar do bucolismo da recente Teotonio Vilela, urbanos. Curtíamos grunge, fizemos uma festa, bebíamos vinho, olhávamos as meninas.

Bom, passou rápido. De repente, essa geração já estava na capital. Urbana. E mais tempo passou, e todos casaram. Batalharam grana, seguraram legal a barra mais pesada que tiveram.

E de repente... todo mundo junto, de novo. Era o tal tributo a Legião. Aquelas lonas cobrindo a entrada, mesas de bar, as luzes ofuscantes, os cabelos compridos e assanhados; as camisas pretas, as calças rasgadas. E de repente, estávamos deliciosamente transportados aos anos 90. Ouvíamos Legião Urbana e Cazuza. Alguns olhavam as meninas; mais cedo, bebíamos vinho barato.

Tudo era tão caprichosamente desorganizado, que sentimos de volta as velhas festas grunge dos 90. Voltaram-se 20 anos.

Faltava só uma coisa pra estarmos definitivamente de volta aos bons tempos: e ela estava lá, a solidariedade do rock 'n Roll. Durante toda noite, garotos dançavam, pulavam, rosnavam, batiam uns nos outros. Tudo na mais perfeita paz. Aquela paz que só entende quem curte. A paz que queremos seguir admitindo.

Como foi possível voltar no tempo? Como está na capa de todos os discos da Legião, só há uma possibilidade: URBANA LEGIO OMNIA VINCIT.

Valeu Mávio!

7 comentários:

  1. ótimo texto, relembrei cada momento do tributo, mávio e o restante da organização estão d parabéns e vc por este texto legal

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    1. Valeu João! foi exatamente como nós, trintões, nos sentimos naquele dia.

      Apareça sempre! abraço.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Texto do caralho Luciano, não vou ser extencivo em minhas palavras pois as suas quase que não deixam espaço para aditivos; li agora porque o dia de sábado aqui em Arapiraca foi muito "corrido", muito rock'n rool, festa extranha com gente esquisita,o termino momentâneo do que não se pode deixar ir está aqui, chegando do Mistura Fina, lendo um retrato da volta a um tempo aparentemente perdido, e tentando ser feliz, feliz, feliz...

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    1. É isso aí David. "Sei que as vezes uso palavras repetidas, mas quais são as palavras que nunca são ditas?" isso é rock 'n roll!

      O mais importante daquele dia é que foi uma grande celebração à amizade. Dias assim precisam acontecer mais!

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  4. Realmente não é preciso dizer mais nada. Sou fan de música. De rock, estou ainda engatinhando. Mas, as referências que tenho desse estilo musical, e de vida, me foram apresentadas no mesmo quintal onde se bebia vinho barato, onde os amigos se encontravam e tudo ia tomando cara de família, sendo os mais chegados do mesmo sangue ou não. Ótimas lembranças trazidas a tona através do show organizado pelo Lôdo e de seu texto, Luciano. Muuuuuuuuito massa!

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    1. O show e a celebração foram nossos, Diogo. Um dia para lembrarmos e repetirmos de quando em quando!

      Quanto ao nosso quintal, ele é histórico. Um centro de formação musical (não só de rock).

      Obrigado pela interação!

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