Parece um lugar-comum, quase um clichê; porém, justamente por estar associado a essa idéia, pouco se tem debatido sobre o tema ultimamente, o que não o faz menos importante: a quantas anda o modelo de educação brasileiro? o que o faz melhor ou pior, mais ou menos acessível?
Antes de qualquer pensamento, é preciso esclarecer - e concordar - que muito se avançou na educação brasileira nos últimos 30 anos. Não está muito distante o período em que se alinhavam nossas crianças no pátio da escola, para entoar todos os hinos cívicos que se tem notícia. Nem tampouco aquele em que desobediência na sala de aula era combatida com dois ou três golpes de palmatória. Tolhia-se a criatividade e a inovação, valorizava-se a disciplina e a obediência - valores bem condizentes com a regra vigente. Tempos autoritários.
O pensamento mudou. Infelizmente, as práticas ainda não são totalmente paralelas à visão, fruto das especificidades de um país do tamanho de um continente. Aqui temos um ensino fundamental exemplar em algumas regiões do país; temos cursos acadêmicos de excelência mundial em sua área. Por outro lado, temos estados onde metade da população é analfabeta funcional (Justamente desses estados saem os políticos mais polêmicos, com perdão do aparte).
O índice geral da educação básica, IDEB, tem melhorado progressivamente nos últimos 10 anos. A descentralização dos recursos, a democratização dos processos e a regionalização dos conteúdos tem sido fundamentais nesse ponto. Os gestores das escolas, que antes eram indicações políticas, hoje em tese são o resultado de uma escolha aberta e técnica. Essas novas práticas são o que trazem um pouco de alento e esperança quanto ao futuro.
Porém... existem refugos. A educação superior brasileira poderia estar em outro patamar. O investimento na iniciativa privada hoje é absurdo - levando-se em consideração, claro, o investimento público. Nossas universidades ainda são arcaicas, mesmo após um processo de valorização visível. E se o que se investe nas faculdades privadas, onde o objetivo maior é o lucro, fosse injetado nas instituições públicas?
Pipocaram, principalmente no obscuro período FHC, o que se chamou de "uniesquina". Para ser uma instituição de ensino superior, bastava uma meia dúzia de salas e alguns ex-alunos graduados, dispostos a assumir turmas de 40 a 50 alunos - ou até mesmo de nenhum, nos abjetos cursos à distância.
Mas e então? entre mortos e feridos, mais avançamos do que retrocedemos. No entanto, se a visão de Estado como provedor de educação fosse utilizada; se o investimento público pensasse mais na formação plena do cidadão - e não no lucro das corporações de ensino - estaríamos em outro patamar.
Se a educação fosse tratada como formadora do indivíduo - não como um negócio. Ao gosto do freguês.


gostei do texto e digo:Evoluir sim claro que evoluímos...A questão mestre que bato sempre na tecla é: País que quer deixar de ser sub tem que investir na educação.Estamos longe,Falta de respeito ao educador não é mais ao bolso do professor q estão faltando respeito é a sua importância no processo de educação é esse o primeiro motivo da quase extinção dos professores de base.No quesito ensino superior explodiu (boom)centenas de faculdades a questão agora vai além de ter e sim de ser. tem faculdade e cadê a qualidade?
ResponderExcluirÉ exatamente esse o centro da questão. Até que avançamos na educação básica e intermediária, mas ainda temos muito o que avançar no ensino superior. Não falta mais dinheiro, falta uma mudança de visão.
ExcluirÉ a eterna luta do capital: lucro x formação intelectual plena.
Obrigado pela interação!
"... não basta a natureza criar indivíduos altamente inteligentes, isto ela já o faz com frequência, mas é necessário que coloque ao alcance desses indivíduos o material que lhes permita exercer a sua criatividade de uma maneira revolucionária." (Laraia, 2006, p. 46-47)
ResponderExcluirPois é Diogo, pra isso temos instrumentos importantes de transformação, como a escola e a Universidade.
ExcluirObrigado pela interação!
Pude ver de perto uma realidade como essa numa comunidade quilombola lá em Viçosa, em que condições os jovens da comunidade assistem aula ,mesmo assim com entusiasmo e a sede do conhecimento.Eita povo guerreiro!. Não posto a foto agora pq não sei como.
ResponderExcluirPois é Fátima, se a visão fosse outra, poderíamos estar em outro patamar, pois temos hoje uma geração criativa e inovadora, que aprendeu a pensar criticamente. Faltam somente os meios.
ExcluirÉ certo que avançamos bem mais do que retrocedemos, mas o mais me preocupa é que esse crescimento foi muito mais quantitativo que qualitativo, principalmente no ensino superior. A falta de critério do MEC para se credenciar e fiscalizar uma nova IES é gritante: são professores totalmente desqualificados, falta de recurso e vida acadêmica, principalmente nos cursos à distância; morte do movimento estudantil, etc. Tudo isso contribui para, como disse nosso amigo Marcos, forma uma geração seguidora da literatura curyana e seu afins.
ResponderExcluirConcordamos que essa ruptura no padrão de qualidade ocorre quase sempre na transição para o ensino superior... esse ainda é o grande gargalo que o Brasil precisa resolver.
ExcluirQuanto à morte do movimento estudantil, que você cita com razão, é um fenômeno que atinge hoje não só os estudantes, mas os movimentos sociais de um modo geral! a esqueda política, berço desses movimentos, também tem uma certa culpa nisso.
Ainda há muito o que acrescentar a esse debate! valeu Fábio!
Para que possamos realmente evoluir mais no quesito Educação pública, faz-se necessário investir mais, precisamos de um investimento digno. E a ideia de aumentar os recursos pelo Estado destinado à educação pública; dobrar a porcentagem do PIB seria um grande avanço. Precisamos de uma educação pública de qualidade!
ResponderExcluirPor isso apoio os grupos sociais que lutam por uma qualidade no ensino, com o slogan "10% do PIB para a educação pública, já!”
Muito Bem! a ideia é essa. Não sei se dobrar seria uma quantidade real, mas é preciso aumentar significativamente o percentual, e mais que isso, aplicar de verdade o que é destinado. Não são poucos os recursos que acabam voltando ao tesouro nacional por pura incompetência dos gestores.
ExcluirE vem aí mais recursos, agora com uma parte dos recursos do pré-sal. Ou seja, nosso problema, principalmente nos últimos 10 anos, não é de dinheiro, e sim de visão filosófica da educação.
Obrigado pela interação!