quinta-feira, 15 de março de 2012

Inferno no asfalto de Maceió


É um lugar-comum, quase um clichê. Os que tem carro, perdem boa parte do dia nela; os que não tem, perdem quase o dia todo. Ela consegue unir, na mesma reivindicação, pedestres, ciclistas, motorizados, caminhoneiros: claro, estamos falando da mais famosa e falada avenida de Maceió, a Fernandes Lima.

A via, que surgiu em meados dos anos 50, e a partir de onde se desenvolveu toda a cidade, encontra-se hoje no seu mais avançado estágio de caos. Não há nela, entre 6 e 20h, um único período em que não se fique preso nos seus intermináveis congestionamentos. Quem tem que passar por lá, gasta mais com combustível e, principalmente, perde um pouco de paz.

Considerando o ritmo acelerado do crescimento brasileiro nos últimos anos, é certo que o atual e os futuros gestores de Maceió não podem fugir de uma solução, que seja mais que produzir mais uma faixa de trânsito, ou asfaltar ruas paralelas para fazer alguns contornos de quadra.  E que não envolvam licitações fraudulentas, as empreiteiras de sempre...

Ou seja, a solução para a Fernandes Lima passa por um processo de planejamento que envolverá, obrigatoriamente, o então prefeito Cícero Almeida e seu sucessor, eleito no próximo mês de outubro. E como todos sabemos, pretendentes à cadeira não faltam, em todos os partidos.

Este blog então passou a bola. Via twitter, questionamos todos os pré-candidatos: Alexandre Fleming (PSOL), Jeferson Morais (DEM), Rui Palmeira (PSDB),  Nadja Baía (PPS), Givaldo Carimbão (PSB), Maurício Quintella (PR), Rosinha da Adefal (PTdoB) e João Lyra (PSD), todos conhecidos pelo público e que tem perfil no microblog. Fizemos a seguinte pergunta: "como pré-candidato, qual sua proposta para o trânsito de Maceió, especialmente da Fernandes Lima?"

Dos oito pré-candidatos questionados, quatro retornaram o questionamento, porém só três responderam a pergunta; por questões jurídicas, Fleming (PSOL) preferiu não se manisfestar sobre questões eleitorais. Morais (DEM), Rosinha (PTdoB), Carimbão (PSB) e JL (PSD) não deram as caras até a produção desse texto.

E os demais? o discurso, como quase sempre, é mais evasivo e menos propositivo. A candidata do PPS, Nadja Baía, se limitou a informar que "vai ouvir os técnicos e tomará medidas", sem informar o teor delas. Rui Palmeira, do PSDB, enfatizou a falta de fiscalização na avenida, segundo ele inexistente. E Mauricio Quintella, do PR, destacou a abertura de novos corredores, conectando o problema do trânsito com outros que considera de igual importância.

É CLARO, e este blog sabe disso, que não é possível desenvolver toda uma teoria de solução dos problemas do trânsito da cidade pelo twitter - e talvez, os que não responderam tenham pensado dessa forma. Porém, a resposta ao questionamento, mesmo que resumidamente, é uma pequena (mas significativa) demonstração do desejo político de governar Maceió. Esperamos que seja também o desejo de resolver o cada vez mais insolúvel caos no trânsito da capital.

4 comentários:

  1. Depois daquela edição da Gazeta de Alagoas que trazia projetos (sonhos) de reformas e construções de novos corredores urbanos fico me perguntando será mesmo que algum dia tudo aquilo sairá do papel, e desta pergunta surgem outras: será que teremos alguma administração preocupada com isso, profissionais competentes e empenhados nessa causa, sem falar da população...
    Está na hora de acabar o faz de conta das antigas obras, como a da Rotary e do Shpping Cidade mascarando o verdadeiro problema. A cidade precisa de infraestrutura, afinal não possuimos sistema de transporte coletivo (ônibus, metro, vans e sobretudo terminais de integração) capazes de suprir nossas necessidades...

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    1. Obrigado pelo comentário!

      Vamos por partes: profissionais competentes, apesar do descalabro dessas alterações na Rotary/Barro Duro, acho que temos. A UFAL forma centenas deles anualmente. A questão parece ser vontade política de se fazer algo com lisura, o que, por sua vez, parece ser um vício da atual gestão do "forrozeiro".

      O pontapé inicial para a resolução desse problema, creio que seja a licitação do transporte coletivo. A partir daí, com transporte de qualidade e menos carros nas ruas, pensamos em como gerenciar o trânsito.

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  2. Eu que moro há pouco tempo em Maceió não consigo entender o trânsito dessa cidade. Primeiro questão, como uma Capital como Maceió tem tão poucas avenidas? Segundo, como que nas poucas avenidas, não há pelo menos passarelas para não ser necessário colocar semáfaros (sem falar em viadutos, que são mais caros)? E porque aqui em Maceió há tantas ruas sem saída nas vias secundárias? Não é possível trafegar nas ruas paralelas aqui..

    A Av. Fernandes Lima não tem solução.. Nunca que vão alargar essa avenida. Pela lei, se não me engando, uma rodovia federal tem que ter no mínimo 60 metros de área não edificável ao longo de toda a avenida, coisa que não existe em Maceió. Veja o novo Palato, está sendo construído colado na Fernandes Lima, totalmente irregular.. Como uma obra dessas pode ser aprovada????

    A solução mais viável é criar vias secundárias que pudessem ser usadas sem a necessidade de acessar a avenida principal. Trocar todos os semáforos de pedestres por passarelas e diminuir os pontos cruzamentos, que eliminaria mais alguns semáforos.

    Junto a isso, melhorar o transporte público.

    A solução ideal, que eu acho inviável pelo custo, seria colocar um VLT no canteiro central que ligaria o centro até o aeroporto e fazer os ônibus ligarem as estações do VLT aos bairros, quase que eliminando o trafego de ônibus na Fernandes Lima. Ou seja, os ônibus seriam responsáveis somente por fazer o circuito dentro do bairro e levar as pessoas até a estação do VLT mais próxima, o VLT levaria é que levaria essas pessoas até o centro.

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  3. Obrigado pelo comentário, Rodrigo!

    Você nos apresenta uma solução profissional e técnica para o problema, que aliado a um novo modelo de transporte coletivo, realmente resolveria grande parte da questão do trânsito em Maceió. Mais uma vez, o que falta? vontade política e capacidade gerencial para tanto.

    Quanto à Fernandes Lima, basta fazer valer a lei. São 30 metros em cada margem. É uma rodovia federal, municipalizada. Mais uma vez, basta capacidade gerencial.

    Grande abraço!

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